quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dia Mundial da Alfabetização

Que raio de professora sou eu que nem sabia que esse dia existia? Ou que não tinha prestado atenção nele antes? Ok, ok... me ligar em datas comemorativas não é assim meu forte, a não ser que ele seja feriado :) rsrsrs
Mas brincadeiras a parte, acho a questão da alfabetização de extrema importância... e vejo que muitas escolas e professores se perderão no meio do processo, quando houve a mudança do chamado tradicionalismo para o construtivismo... aí a coisa desandou. Se antes haviam muitas crianças que repetiam de ano por não terem aprendido a ler e a escrever, hoje em dia vemos uma eternidade de jovens que não sabem nem mesmo escrever, ler ou reconhecer seu nome. O construtivismo está aí mas nem todo professor entendeu como se alfabetiza por esse método, até porque para entender realmente é necessário dedicação e estudo, e sabemos que nem todo professor com mais de 20 anos de escola está a fim de começar tudo de novo, deixar para trás velhos paradigmas, opiniões e materiais.
E por outro lado, vejo uma pressão muito grande da sociedade em cima das crianças para que aprendam a ler e a escrever cada vez mais cedo. Vejo pais se vangloriando do filho saber ler aos 4 anos... e muitos forçam os filhos a isso. Procuram escolas cuja politica seja a de alfabetizar cada vez mais cedo. 
Temos que entender que cada criança tem seu ritmo, alguns mais rápido e com facilidade, outros mais lentos. Mas se bem estimulados, apoiados e encorajados, todos chegaram lá. Mas vemos que as escolas se preocupam com listas e mais listas de palavras, lições de casa intermináveis, horas e mais horas de treino, para que? Para o aluno ficar desmotivado e perder o pique para aprender?
Eu tenho outro pensamento. Criança tem mais é que brincar e brincando se aprende e muito. Claro que meu alunos também fazem atividades em papel, estimulo o treino da escrita, porque ninguém vai aprender a escrever sem nunca ter feito isso antes, mas não preciso que ele copie 20 vezes a mesma letra para que aprenda. Meus alunos tem contato diário com a leitura e a escrita, tanto por eu fazer as leituras, quanto por escrever e ir mostrando a eles o que vou escrevendo. E acredito sim que eles aprendem e muito bem.
Começo novamente a repensar a questão do futuro da Gaby. Ela estuda em escola particular e já percebo uma tendência forte a alfabetização precoce. Ela já sabe algumas letras, já conta, tem tentado falar o alfabeto. Vamos esperar até o ano que vem e ver qual será a proposta da escola. Já ouvi dizer que querem adotar apostilas para todas as turmas. Isso significa que ela terá um material didático completo antes mesmo de completar 3 anos... vou analisar tudo isso com calma quando chegar a hora para decidir o que irá acontecer no ano que vem. 
Ainda mais depois de ler este texto da Rosely Sayão, indicado pela Mari Hart, via faceboo... é de repensar muitos conceitos e idéias....

Matéria sobre alfabetização, Na Pressa e na Pressão, por Rosely Sayão.


Em homenagem ao dia Mundial da Alfabetização, 08/09/11,
selecionei esse texto muito interessante!
Na pressa e na pressão.

Por que tanto desespero?
Saber ler, escrever e contar antes dos seis ou sete anos não quer dizer nada


Recebo muitas perguntas e dúvidas de pais que têm filhos com seis anos, mais ou menos.
Várias mensagens chegam em tom quase desesperado.
O motivo? O processo de alfabetização dos filhos.

Vamos tentar acalmar esses pais com alguns esclarecimentos importantes para que, um pouco mais tranquilos, eles não pressionem tanto seus filhos.

De partida, é bom avisar: a criança tem tempo de sobra para se desenvolver nesse processo.
Qual o prazo? No ensino fundamental, com duração de nove anos, esperamos que a maioria dos alunos esteja alfabetizada ao final do segundo ano.

Por isso, caro leitor, caso o seu filho esteja no primeiro ano, pode relaxar.
Ele ainda tem pelo menos um ano e meio para se aprimorar no processo da leitura, primeiramente, e escrita.

Acontece que muitos pais foram convencidos pela sociedade de que é melhor a criança aprender o mais cedo possível a ler, escrever e trabalhar com números. Não é?

Já temos inúmeros estudos e pesquisas apontando que crianças precocemente introduzidas no ensino formal não se mostram, no futuro, mais avançadas nos estudos.
Além disso, até demonstram menor curiosidade pelos estudos e menos criatividade nos trabalhos escolares do que suas colegas que se dedicaram a brincar nos anos da primeira infância.

Tem mais: as crianças massacradas por escolas e famílias para a vida escolar no estilo acadêmico antes dos sete anos desenvolvem mais doenças resultantes da ansiedade e da pressão, tais como estresse, desatenção, distúrbios alimentares e do sono, entre outras.

Veja, caro leitor, o resultado dessa ideia que a sociedade desenvolveu nos pais.
Uma leitora, que coloco no grupo dos pais desesperados, conta que mudou de cidade e sua filha, matriculada no primeiro ano, já sabia ler e escrever muitas coisas.
Mas agora, na transferência de escola, parece que regrediu e se esqueceu de muita coisa que havia aprendido.

O que nossa leitora não percebe é que, se a garotinha esqueceu, é porque não havia aprendido.
Talvez tivesse sido treinada, condicionada ou coisa que o valha a escrever e ler algumas palavras. Quem se alfabetiza com sentido, ou seja, quem entende primeiramente a função social da leitura e da escrita, não se esquece com essa facilidade.

Outra mãe que tem a filha também no primeiro ano me escreveu reclamando da escola, por ter enviado muitas lições para serem feitas nas férias. Mas, de quebra, contou que a filha leva duas horas diariamente fazendo lições de casa e, três vezes por semana, ainda faz acompanhamento psicopedagógico por indicação da escola, por apresentar "dificuldades na alfabetização".

Fico penalizada com a vida que essa menina (como muitas outras) está levando.
Quando será que ela brinca?
Brincar é uma coisa que, até os seis anos, a criança deveria fazer o tempo todo.

O ensino formal de leitura e escrita e o trabalho com números podem ser iniciados aos sete anos sem prejuízo algum para a vida escolar futura dessas crianças.
Por que tanta pressa? Saber ler, escrever e contar antes dos seis, sete anos não significa absolutamente nada.

O que significa muito no futuro desenvolvimento do chamado processo de letramento é a criança aprender, desde bebê, o prazer da leitura.
Contar histórias para ela, dar livros bonitos para ela brincar e "ler", conversar bastante com ela para que amplie seu vocabulário, ouvir com atenção as histórias que ela gosta de contar e brincar com os sons das palavras são alguns exemplos de como os pais podem ajudar no desenvolvimento de seus filhos.

Mas sem pressão, por favor!
As crianças agradecem.

ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)


PARABÉNS AOS NOSSOS PROFESSORES,
Que nos ensinaram a Magia de Ler e Escrever!

Um comentário:

Fabi da Juju disse...

Viva a alfabetização!!!

Grande bjo