segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Inlcusão escolar? Será?

Faz tempo que meu lado professora pede para escrever este post, mas fico enrolando, pensando se escrevo no outro blog (o meu de educação) ou se publico aqui... e nisso fiquei enrolando e pensando em "n" maneiras de escrever. 
Aqui é um blog para guardar lembranças do desenvolvimento da Gaby, porém não consigo me separar do lado professora e mãe humana que sou. Sim, me acho uma professora super humana, daquelas que dão colo quando necessário, que dão risadas e brincam junto com as crianças. Tem gente que quando me vê dando aulas não acha isso, me acha rigida demais, séria e muitos me julgam pelo fato de não gosta muito do termo pejorativo "tia" (faço outro post falando sobre isso). Mas o fato é que achei necessário escrever aqui,  até porque desde o início da minha formação acadêmica sou super ligada a Educação Especial e quero que a Gaby saiba respeitar, conviver e ajudar seus amigos que tiverem deficiências.
Aqui não vou usar nenhum termo politicamente correto, até porque acho um saco ficar escrevendo portador de necessidades "tal", fora que essa nomenclatura muda quase todo ano. O fato é que quero falar do lado humano de se lidar com uma criança deficiente. E mais que isso, como lidar com a família dessa criança.
Ainda na faculdade eu queria muito trabalhar com crianças deficientes, minha monografia foi justamente sobre o trabalho que pode ser feito com crianças com deficiência mental. Naquela época (1999) demorei para conseguir fazer minha pesquisa de campo, pois aqui onde moro existiam duas escolas de Educação Especial e uma APAE... as duas escolas eram da prefeitura e me encheram de dificuldades para realizar a pesquisa. Tive que falar até com a Secretária da Educação... tudo isso, porque nas escolas em questão existiam muitos filhos de gente influente e conhecida aqui da cidade, que não aceitavam tão bem assim ter os filhos expostos... na verdade queriam mesmo é deixar as crianças escondidas. Mas enfim, acabei desistindo de pesquisar nessas escolas e fiz estágio na APAE. Foi um período rico para meu desenvolvimento tanto profissional quanto pessoal.
Me formei e comecei a dar aulas em salas ditas regulares. Mas depois fui trabalhar na Educação Especial propriamente dita e foi aí que minha visão começou a se modificar... eu já não era fã da inclusão escolar desde a faculdade, pois a maioria das crianças acaba ficando segregada das outras e a proposta da inclusão vai por água a baixo, mas depois de trabalhar dentro de uma escola somente com crianças deficientes e vendo vários tipos e graus de deficiência, essa questão do aluno ser incluído em sala regular ficou mais forte e clara para mim.
Não adianta a gente pegar a criança, colocar na sala regular para ele conviver com as outras crianças sem preparo. E digo sem preparo não somente dos professores, que acabam sempre pagando o pato. Digo preparo dos prédios escolares, dos outros pais, das outras crianças, da própria criança deficiente. Incluir o aluno deficiente na sala regular no papel é lindo. No dia a dia é que são elas... não temos somente deficiências leves e quase imperceptévies como mostram nos livros e muitos documentos publicados. Temos os mais diferentes tipos de deficiências e se as crianças e a escola que forem receber esses alunos não estiverem preparados o caldo todo entorna.
E digo isso com toda propriedade, sem medo de estar errando. Em 2008, estava com uma turma de 30 alunos de 5 para 6 anos, sendo que 3 deles tinham deficiências... dois eram intelectuais e um físico. A questão é que o aluno físico era portador de uma síndrome rara, super desconhecida e complicada. Ele tinha FOP (fibrodisplasia ossificante progressiva). Quem tiver interesse em ver o que é a síndrome pode dar uma lida aqui. A questão é que era humanamente impossível eu dar aulas com qualidade, atender e preparar aulas difereciadas para os dois alunos com deficiência mental, estimular e manter a integridade física do outro aluno. Com essa quantidade de alunos? Impossível. E pensa que a escola ou a secretaria de educação pensou em mudar alguma coisa? Nada... eu que tive um conversa franca com os pais, disse que quantidade de alunos mais os casos complicados iria dificultar o trabalho e que as turmas do outro período da escola estavam bem mais vazias... e eles transferiram alguns alunos para outro turno. A sala ficou com 25... não era o ideal ainda, mas ajudou e muito. Eu pesquisei muito para entender qual a situação do aluno, como poderia ajudá-lo e consegui estimulá-lo bastante. Ao final do ano ele se comportava como os outros, correndo e brincando normalmente. 
Mas isso porque eu tive comprometimento. E se ele estivesse em uma sala de uma professora que não está nem aí? Ele com certeza ficaria jogado no canto sem fazer nada de diferente, sem ser realmente inlcuido no grupo. Eu faço questão de contar aos colegas da sala qual o problema do amigo, como podemos ajudar e o que não podemos fazer. E também converso muito com os pais nas reuniões, explico casos, procuro materiais. Mas vejo que sou uma excessão... uma pena. 
Os pais de crianças deficientes também são constantemente julgados pela forma como tratam os filhos. Ou é porque aceitam e cuidam muito bem para que a criança não sofra ainda mais, ou porque não aceitam. Mas vocês já viram como os médicos dão a noticia de que seu filho é portador de alguma síndrome? O "jeitinho" deles é bárbaro. Falam da forma mais fria e traumatizante que poderia existir... e não há pessoa que não desabe com isso. E é complicado aceitar, tratar, cuidar, estimular. Exige demais... e nem todos suportam, preferem fingir que não estão vendo. Então nosso papel enquanto educadores, não é ficar procurando culpados, sim apoiar esse pai, mostrar a ele o que o filho tem progredido, o que consegue, como ajudá-lo em casa.
Por isso acho que as escolas de Educação Especial não poderiam simplesmente ser riscadas do mapa. A criança deficiente precisa de um estímulo maior do que os outros. Ainda acredito que eles deveriam frequentar as duas escolas, ou em turnos diferentes, ou durante o dia todo... mas para aproveitar o que cada uma poderia oferecer. A escola regular infelizmente não será capaz e nem sei se um dia será, de oferecer suporte a todos os alunos de inclusão. Primeiro por não estar adaptada a isso, segundo, porque não existem profissionais capacitados para suprir a demanda e não existe um professor que possa entender de todos os tipos de deficiência e atender cada ano um tipo de criança.
O que acontece é que acabam colocando as crianças de inclusão nas salas em que os professores apresentaram um bom trabalho com turmas que tinham inclusão, só que em algumas vezes exageram na dose, colocando um monte de alunos com problemas muito diferentes e a sua aula mesmo fica de lado, pois passamos o tempo tentando estimular, atender alguma particularidade do aluno, incluir.... mas será essa a maneira correta de se fazer a inclusão?
Fica aqui minha pergunta, para a qual ainda não consegui achar resposta....

5 comentários:

Rafaella disse...

Sylvia lindo tudo o que vc escreveu...
E como vc disse, os professores precisam de preparos, a escola e os proprios alunos, para que a criança especial não seje excluida...
Infelizmente não é assim... e nem os proprios professores correm atras para se informar ou saber lidar com os alunos...
Não deve ser facil ter um filho ou aluno especial...
Que bom que vc gosta... tenho certeza que vc seria uma professora e tanto...
bjos

Unknown disse...

Rafa
Eu seria uma professora e tanto não... eu SOU uma professora e tanto!!! Me dedico muito a isso!!!! Beijocas

Paty Cancelier disse...

Oi Sylvia, faz tempo que não passo pra comentar aqui, mas estou sempre de olho no seu blog.. É que ultimamente ando meio sem tempo, aí leio o post, fico de comentar depois e acabo não comentando..
Adorei o que o post de hoje e assim como vc, também quero ensinar minha filha a conviver e respeitar as diferenças!
Parabéns pela sua profissão que é linda e por toda sua dedicação!

Beijinhos
Paty
www.profissaomamae.blogspot.com

Mari Hart disse...

Por isso eu digo que a inclusão é uma utopia, infelizmente. Se os pais e escolas soubessem o qto as crianças "normais" ganham com a inclusão e consequentemente nosso futuro de cidadãos sem preconceito, talvez a real inclusão pudesse existir.

Beijokas querida!

Mari Hart disse...

Amei o SOU uma profesora e tanto! Parabéns, é isso aí! =))